COMENTÁRIO:
Texto-base: GÓES, Maria Cecília Rafael de. “A criança e a escrita: explorando a dimensão reflexiva do ato de escrever”. In: SMOLKA, Ana Luisa [et al] (org.). A linguagem e o outro no espaço escolar. Vigotski e a construção do conhecimento. Campinas, S.P.: Papirus, 1993. (Coleção Magistério: Formação e trabalho pedagógico).
O texto em questão dialoga bastante com os outros autores estudados ao longo do curso (Flower e Hayes com sua pesquisa sobre o processo cognitivo da produção de texto; Bakthin e o princípio da dialogia; Foucault e os conceitos de autor; Vigotski e o estudo de A formação social da mente; Fortunato e sua pesquisa sobre Autoria e aprendizagem da escrita).
O trecho que selecionamos, de certa maneira, faz referência a todos os autores acima, porque explicita um problema de escrita, envolvendo aprendizagem; construção de representações de autor, de texto, de leitor; procedimentos de planejamento, de produção de texto, de revisão; princípio dialógico.
Ao lermos o texto em questão, tivemos a nítida impressão de estarmos diante da descrição de nosso aluno de 6º a 9º ano (grupo com que trabalhamos):
O texto em questão dialoga bastante com os outros autores estudados ao longo do curso (Flower e Hayes com sua pesquisa sobre o processo cognitivo da produção de texto; Bakthin e o princípio da dialogia; Foucault e os conceitos de autor; Vigotski e o estudo de A formação social da mente; Fortunato e sua pesquisa sobre Autoria e aprendizagem da escrita).
O trecho que selecionamos, de certa maneira, faz referência a todos os autores acima, porque explicita um problema de escrita, envolvendo aprendizagem; construção de representações de autor, de texto, de leitor; procedimentos de planejamento, de produção de texto, de revisão; princípio dialógico.
Ao lermos o texto em questão, tivemos a nítida impressão de estarmos diante da descrição de nosso aluno de 6º a 9º ano (grupo com que trabalhamos):
“(...) sujeito que registra e interpreta a escrita, mas que mostra uma limitada capacidade para atender ao caráter comunicativo da produção e, mais importante, uma reduzida disposição a tratar a escrita como instância de ação sobre a linguagem e de organização ou transformação do pensamento.” (p. 102)
A resistência quanto a tomar o texto como objeto de atenção é observada em todos os grupos, mas há diferenças: nos 6º e 7º anos, ocorre, entre outras explicações, em função de uma escrita egocêntrica. Uma identificação imediata com o conteúdo tão intensa que, ao escrever uma narrativa de aventura, por exemplo, o pronome de 3ª pessoa do singular (recurso para fazer referência à personagem) passa a ser de 1ª pessoa. Isto é, o escritor coloca-se no lugar da personagem e não percebe, nem mesmo depois de uma leitura espontânea para revisão. Este fato nos faz pensar na emergência de investir em pautas de revisão cada vez mais precisas, de propor um trabalho de interação entre os escritores (duplas e/ou grupos), bem como de fazer mediações mais objetivas, considerando os conteúdos desenvolvidos e os que podem ser a partir dessa questão do uso de pronomes.
Nos 8º e 9º anos, a resistência é para assumir o papel de leitor como aquele que (re)organiza os enunciados, busca recursos mais elaborados para dizer o que quer. Neste caso pensamos que, além de pautas precisas, de planejamento, a mediação é de extrema importância, porque é o mediador que tornará observável a necessidade de lidar melhor com “o real, o necessário, o possível e o impossível” (Piaget). É preciso criar estratégias para que o aluno consiga aproximar-se do real. Pensamos que essa resistência encontrada nos 8º e 9º anos é aquela típica da adolescência em que há negação da impossibilidade de permanecer na infância, negação, portanto, da necessidade de criar representações de comunicação com e no mundo adulto.
Temos assim uma gama de fatores a serem gerenciados ao longo do processo de aprendizagem de produção de texto pertencentes a esferas diferentes, mas complementares, da educação.